Notícias e indicadores do Mercado Imobiliário — Agosto/Setembro de 2026
Juros, crédito, custos de construção e valorização dos aluguéis ajudam a explicar o cenário imobiliário de Florianópolis e os pontos de atenção para os próximos meses.
- Blog Gralha
- 10/09/26
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Agosto de 2026 encerrou com um mercado imobiliário ativo, mas mais seletivo. A Selic foi reduzida para 14% ao ano, a inflação mostrou desaceleração e os preços dos aluguéis continuaram avançando acima da inflação.
Ao mesmo tempo, o setor passa por mudanças no crédito imobiliário e encontra compradores mais atentos às condições de negociação, à qualidade dos ativos e ao potencial de valorização.
Em Florianópolis, esse movimento apresenta características próprias. A cidade está entre os mercados com aluguel residencial mais valorizado do país, enquanto a combinação entre demanda, oferta territorial limitada e transformações urbanas mantém diferentes regiões no radar de compradores e investidores.
Juros, crédito, custos de construção, oferta, demanda, liquidez e potencial de valorização ajudam a formar uma leitura mais completa do momento imobiliário.
Os indicadores apresentados refletem os dados mais recentes divulgados até o início de setembro de 2026. Como cada instituição possui calendário próprio de divulgação, alguns índices têm como referência julho e outros, agosto.
Os indicadores que ajudam a entender o mercado
| Indicador | Último dado disponível | Acumulado em 12 meses |
|---|---|---|
| CUB/SC | R$ 3.151,24/m² em ago/26 | +5,82% |
| INCC-M | +0,85% em ago/26 | +6,56% |
| IPCA | +0,07% em jul/26 | +4,44% |
| IGP-M | -0,22% em ago/26 | +2,16% |
| Selic | 14,00% a.a. em ago/26 | Não aplicável |
| IVAR | +0,66% em jul/26 | +5,08% |
| FipeZAP, locação residencial | +0,70% em jul/26 | +9,28% |
| Floripômetro, residencial | +0,45% no período analisado | +6,65% |
| Floripômetro, comercial | +0,39% no período analisado | +3,66% |
| Floripômetro, locação residencial | +0,68% no período analisado | +11,08% |
O CUB/SC chegou a R$ 3.151,24 por metro quadrado em agosto, com alta de 0,95% no mês e 5,82% em 12 meses. O INCC-M avançou 0,85% em agosto e acumula alta de 6,56% em 12 meses, indicando continuidade da pressão sobre os custos de construção.
O IPCA de julho registrou alta de 0,07% no mês e 4,44% em 12 meses. O IGP-M, por sua vez, recuou 0,22% em agosto, embora ainda acumule alta de 2,16% em 12 meses.
A Selic também mudou de patamar. O Copom reduziu a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano na reunião realizada em 4 e 5 de agosto.
No mercado de locação, o IVAR registrou alta de 0,66% em julho e acumulou 5,08% em 12 meses. No FipeZAP, os preços de locação residencial avançaram 0,70% em julho e acumulavam alta de 9,28% em 12 meses. Florianópolis apresentou preço médio anunciado de R$ 60,84/m², permanecendo entre as cidades brasileiras com aluguel residencial mais caro.
A digitalização das informações imobiliárias avança
A integração das informações imobiliárias avança no Brasil e modifica a relação entre imóveis, proprietários, municípios e fiscalização. O Cadastro Imobiliário Brasileiro, CIB, funciona como identificador único para cada imóvel, enquanto o Sinter integra informações cadastrais, geoespaciais, fiscais e jurídicas.
Em 20 de agosto, o Sinter registrava 1.524 municípios aderentes e 19.391.477 inscrições imobiliárias urbanas ativas. Em atualização posterior, de 27 de agosto, a Receita Federal informou 1.675 municípios com adesão e 19.458.199 CIBs urbanos ativos.
A integração também se relaciona à Reforma Tributária. A Lei Complementar nº 214/2025 incluiu o CIB no Regime Específico de Tributação de Bens Imóveis. Para proprietários e investidores, o movimento reforça a necessidade de manter informações cadastrais, contratos e declarações consistentes.
O mercado continua vendendo mesmo com juros elevados
Os Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC, elaborados em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, mostram que 226.536 imóveis residenciais novos foram comercializados no primeiro semestre de 2026, alta de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025.
O crédito também apresentou avanço. Entre janeiro e junho, as concessões destinadas à aquisição de imóveis com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, SBPE, chegaram a R$ 67,2 bilhões, crescimento de 12% na comparação anual.
Os dados indicam continuidade da demanda, embora o processo de decisão esteja mais criterioso. Localização, qualidade do empreendimento, condição de compra, liquidez e perspectiva de valorização passam a ter maior peso em um ambiente de financiamento mais caro.
O crédito imobiliário está mudando e 2027 será um ano importante
Uma das mudanças estruturais mais relevantes para o setor está no modelo de direcionamento dos recursos da poupança. O Banco Central e o Conselho Monetário Nacional estabeleceram uma nova sistemática que passará a vigorar em 1º de janeiro de 2027, enquanto ajustes complementares já entraram em vigor em 2026.
O novo modelo amplia a utilização de fontes alternativas, como Letras de Crédito Imobiliário, LCIs, e Letras Imobiliárias Garantidas, LIGs, para sustentar as carteiras de crédito imobiliário.
Segundo o Banco Central, o modelo poderá viabilizar R$ 111 bilhões em recursos para o crédito imobiliário no primeiro ano. A sistemática também prevê elevação gradual do percentual dos depósitos de poupança direcionado ao crédito imobiliário, de 65% para 100%, com 80% desse saldo destinado a financiamentos habitacionais no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação, SFH.
A Selic em 14% ao ano ainda mantém o financiamento em ambiente restritivo. A transformação das fontes de recursos, no entanto, pode ampliar a capacidade de concessão de crédito nos próximos anos.
Aluguel continua avançando acima da inflação
Em julho, o Índice FipeZAP de Locação Residencial subiu 0,70%, enquanto o IPCA avançou 0,07%. Em 12 meses, os novos contratos de aluguel acumulavam alta de 9,28%, diante de uma inflação de 4,44% no mesmo intervalo.
Os apartamentos de dois dormitórios apresentaram valorização de 10,21% em 12 meses. Em Florianópolis, o preço médio anunciado para locação residencial chegou a R$ 60,84/m² em julho, colocando a capital catarinense na quinta posição do ranking nacional do FipeZAP.
Para o investidor, o valor anunciado do aluguel precisa ser analisado em conjunto com vacância, condomínio, IPTU, manutenção, administração, impostos e preço de aquisição. A rentabilidade depende da relação entre renda potencial, custos, demanda e liquidez.
Aluguel consignado pode criar uma nova alternativa de garantia
Em 12 de agosto de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou a possibilidade de desconto em folha para pagamento de aluguéis residenciais e encargos. O texto estabelece limite de 30% da remuneração disponível e permite que a consignação seja utilizada como modalidade de garantia locatícia.
O que pode mudar?
A proposta busca criar uma alternativa às garantias tradicionais, facilitar a contratação para determinados perfis de inquilinos e aumentar a previsibilidade de recebimento para proprietários.
Os efeitos ainda dependem da aprovação definitiva e da implementação do modelo. O projeto segue para análise do Senado e, portanto, o aluguel consignado ainda não é uma regra vigente.
IGP-M recua em agosto, mas contratos ainda podem ter reajuste
O IGP-M registrou queda de 0,22% em agosto de 2026. Foi o terceiro mês consecutivo de retração, depois das quedas de 0,50% em junho e 1,16% em julho.
Mesmo com os resultados mensais negativos, o indicador ainda acumula alta de 2,16% em 12 meses. Esse percentual pode ser utilizado como referência em contratos vinculados ao IGP-M que completam aniversário em setembro.
Em um aluguel de R$ 1.500, a aplicação integral de 2,16% representaria reajuste de R$ 32,40, levando o valor para R$ 1.532,40.
A diferença entre o IGP-M e o INCC-M também merece atenção. Enquanto o primeiro recuou em agosto, o segundo avançou 0,85%, mostrando comportamentos distintos entre os indicadores relacionados à locação e aos custos da construção.
Como esses movimentos aparecem em Florianópolis
Florianópolis combina oferta territorial limitada, demanda residencial e de locação e transformações urbanas que alteram a atratividade de diferentes regiões.
Os dados do Floripômetro Imobiliário utilizados neste informe apontam, no período analisado, alta de 6,65% nos preços residenciais em 12 meses, 3,66% no segmento comercial e 11,08% na locação residencial.
Esses indicadores precisam ser interpretados conforme as características de cada região, tipologia e padrão construtivo. Diferentes bairros respondem de maneira própria à demanda, à oferta, à infraestrutura e ao perfil dos compradores.
Localização, oferta concorrente, liquidez, demanda de locação e projetos de infraestrutura precisam integrar a análise antes de qualquer conclusão sobre o potencial de um imóvel.
A leitura local permite compreender por que determinado preço existe, qual perfil de demanda sustenta aquele produto e quais fatores podem influenciar seu desempenho ao longo do tempo.
O que acompanhar nos próximos meses
- evolução da Selic e seus efeitos sobre o crédito;
- implementação do novo modelo de financiamento imobiliário a partir de 2027;
- comportamento dos custos da construção;
- evolução dos preços de locação;
- nível de oferta disponível em cada região;
- transformações urbanas em Florianópolis;
- relação entre preço de aquisição e potencial de renda;
- demanda por imóveis bem localizados;
- tramitação do projeto de aluguel consignado.
O mercado imobiliário segue ativo, mas exige comparações mais criteriosas. Em um ambiente de juros ainda elevados e mudanças estruturais no crédito, preço, localização, produto, condição de compra, demanda, liquidez e perspectiva de valorização precisam ser analisados em conjunto.
Perguntas frequentes sobre o mercado imobiliário em Florianópolis
O mercado imobiliário em Florianópolis está aquecido em 2026?
O mercado segue ativo e mais seletivo. Os dados nacionais mostram crescimento nas vendas de imóveis residenciais novos e avanço das concessões de crédito, enquanto Florianópolis mantém demanda residencial e de locação.
Como estão os preços dos aluguéis em Florianópolis?
Em julho de 2026, o preço médio anunciado para locação residencial em Florianópolis chegou a R$ 60,84/m², segundo o FipeZAP. A cidade ficou entre os mercados com aluguel residencial mais caro do país.
A Selic de 14% influencia o mercado imobiliário?
Sim. A taxa básica influencia o custo do crédito e a capacidade de financiamento dos compradores. Os dados de 2026, entretanto, indicam que a demanda imobiliária permanece presente mesmo em um ambiente de juros elevados.
Vale a pena investir em imóveis para aluguel em Florianópolis?
A resposta depende das características do ativo. A análise deve considerar preço de aquisição, aluguel potencial, vacância, custos, liquidez, localização e perspectiva de valorização.
O que muda com o novo modelo de crédito imobiliário?
A partir de 2027, entra em vigor um novo modelo de direcionamento dos recursos da poupança, com maior utilização de instrumentos como LCIs e LIGs e potencial de ampliação do volume de recursos destinados ao crédito imobiliário.
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Fontes
Banco Central do Brasil; Conselho Monetário Nacional; Receita Federal; IBGE; FGV IBRE; Sinduscon-SC; CBIC; Brain Inteligência Estratégica; Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Fipe/FipeZAP; Câmara dos Deputados.
Atualização: 2 de setembro de 2026.
